Depois da primeira escolha, vem a escolha maior

Os resultados da primeira volta das eleições presidenciais realizadas ontem constituem uma fotografia muito nítida do nosso país em 2026, um Portugal plural, diverso e exigente. Não houve um só candidato capaz de deliciar a maioria dos portugueses e, longe de ser problema, esse é um excelente sinal para o nosso regime democrático. Os eleitores de ontem foram mais críticos, mais exigentes, mais atentos e com menos disposição para soluções fáceis e discursos absolutistas.
Apoiei com firmeza na 1.ª volta João Cotrim de Figueiredo. E fi-lo por convicção, por concordância ideológica e por uma concepção moderna para o papel do Presidente da República. O resultado alcançado por este foi meritório, digno e é um sinal muito claro de que há lugar em Portugal para uma política responsável, reformista e sem exageros. Cotrim de Figueiredo não passou à 2.ª volta, mas deixou um aroma que não se pode evaporar.
Entramos agora numa nova fase. A 2.ª volta exigirá opções diferentes, mais amplas e mais institucionais. Entre os dois candidatos, o meu apoio vai para António José Seguro. Não por uma escolha de alinhamento, mas porque vejo nele um perfil moderado, democrático e respeitador das instituições. Estamos num momento em que o país precisa de estabilidade, serenidade e um presidente que una em vez de dividir.
António José Seguro oferece garantias de equilíbrio e sentido do Estado. A campanha que se segue deve ser firme, mas serena. O debate deve centrar-se no papel constitucional do Presidente e não numa guerra de ideologias. A segunda volta não é sobre partidos, mas sim sobre que tipo de república queremos. E, nesta dimensão, creio que António José Seguro representa melhor a seriedade, a decência e a maturidade democrática de que Portugal carece.
Da autoria de Martim Marques Alberto
