I – O Começo da Jornada: Apresentação e o Contexto Eleitoral
Chegámos a outubro e o país volta a cumprir um dos rituais mais antigos e belos da nossa democracia: as eleições autárquicas. É quase sempre neste tempo que os portugueses lembram-se de quem cuida das suas ruas, dos jardins, das escolas e dos pequenos sonhos da vida comum. O voto autárquico tem outra textura: é próximo, é palpável, é quase familiar.
Estas autárquicas de 2025, marcadas para o próximo domingo 12 de Outubro, chegam depois de um ano politicamente intenso — com a Moção de Confiança do Governo de Montenegro chumbada, legislativas em Maio, novo executivo, tensões parlamentares e um país a tentar reencontrar o seu equilíbrio. E, no meio deste burburinho, lá estão as nossas câmaras, as assembleias e juntas de freguesia, a pedirem o olhar do povo.
O poder local é, e sempre foi, o coração da política nacional. É nele que se sente o verdadeiro pulsar da nação. E é também aqui que se decide, de forma muito mais íntima, o tipo de país que queremos construir.
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II – No Coração da Minha Terra: Real, Dume e Semelhe em Análise
Na minha terra, a União de Freguesias de Real, Dume e Semelhe pertencente à cidade de Braga, o voto tem um sabor especial. Aqui, o Partido Socialista tem sido senhor e dono há mais de uma década. Francisco Silva, que agora termina o mandato por limitação, foi um autarca até que respeitado, trabalhador e conhecedor das gentes – mas é preciso fazer mais, muito mais por esta terra...
A vitória socialista em 2021 com cerca de 47% dos votos mostra um eleitorado envelhecido e pouco aderente à mudança, muito infelizmente.
Esta freguesia é um retrato do contraste português: Real, cada vez mais urbana e populosa; Dume, em transição entre o campo e a cidade e Semelhe ainda com uma certa ruralidade. Esta diversidade faz desta uma das freguesias mais complexas do concelho de Braga, a meu ver. O crescimento urbano trouxe progresso, mas também muitas desigualdades e um monte de desafios.
Nas ruas de Real, nota-se o desejo de mudança, e também o cansaço da rotina política. O nome de Filipe Pinheiro, o candidato da coligação Juntos por Braga para a freguesia, surge como sinal de nova transformação, de novo fôlego, e de alguém que conhece a freguesia e não se resigna a deixá-la parar no tempo. É uma candidatura que, sem negar o mérito do passado, acredita e trabalha para a regeneração — e isso tem peso e um enorme valor.
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III – Braga Grande: As Ideias Principais e os Desafios Urbanos
Braga, cidade que vibra entre o sagrado e o moderno, é um caso singular. Desde 2013 que Ricardo Rio tem conduzido com carácter e coração o município com a coligação Juntos por Braga (PSD/CDS/PPM), alcançando sucessivas vitórias bem robustas. Agora, com o seu ciclo a acabar, a sucessão torna-se inevitável e abre espaço para uma disputa a dez.
A corrida autárquica bracarense de 2025 é das mais vibrantes do país: João Rodrigues (candidato Juntos por Braga e atual vereador do Urbanismo e Habitação da Câmara Municipal), António Braga (PS), Filipe Aguiar (Chega), Rui Rocha (ex presidente da IL), Carlos Fragoso (Livre), João Batista (CDU), António Lima (BE), Francisco Pimentel Torres (ADN), Hugo Varandas (MPT) e Ricardo Silva (independente). Dez nomes, dez formas de ver Braga – Mas serão todas iguais?
No centro destes candidatos, encontra-se o eleitor bracarense, cansado de slogans, mas ainda apaixonado pela cidade. O tema dominante é a habitação, seguido da mobilidade, da segurança e do equilíbrio entre tradição e o modernismo. Braga, que já foi capital da juventude e do empreendedorismo, enfrenta agora o dilema de crescer sem perder a essência.
É aqui que João Rodrigues, um candidato com carisma, com postura firme e um discurso sereno, se destaca. Representa a continuidade das reformas que a cidade necessita sem ser repetitivo. Apresenta agora experiência com um toque juvenil sem ser aborrecido. E, convenhamos, Braga precisa de quem governe com os pés no chão, não de quem transforme o município num palco de vaidades como querem outros variados candidatos.
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IV – Uma Visão Geral das Autárquicas e os Polos do País
De Norte a Sul, estas autárquicas estão a revelar uma recomposição interessante. O PSD e as suas coligações dominam em muitos municípios relevantes; o PS tenta segurar redutos históricos e as vantagens eleitorais que tem obtido nos últimos anos; o Chega, a Iniciativa Liberal e também o Grupo de Cidadãos Independentes avançam em capitais de distrito e não só, para tentarem obter bons resultados; e forças como o Livre, o PAN, a CDU, o BE e o JPP procuram sobreviver e marcar diferença pela via mais à esquerda.
Lisboa, Porto e também Braga continuam a ser o barómetro político do país: onde o voto é mais móvel e onde se testam as tendências do futuro. Em contrapartida, concelhos como, Guimarães, Aveiro, Évora ou Faro representam o coração do poder local — onde as obras, a proximidade e o carácter contam mais do que qualquer cor partidária.
As autárquicas de 2025 estão, por isso, menos polarizadas e mais pessoais. Os cidadãos não querem uma ideologia apologista e demagógica: querem solução. Querem ver o autarca no mercado, na escola, na estrada, ou no banco do jardim. Querem alguém que os ouça e que responda.
Por isso mesmo, o voto de domingo será mais do que político — será sobretudo emocional, mas também bem convicto. E quem souber falar à alma do eleitor, ganha.
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V – Conclusão: O Futuro e a Responsabilidade
O próximo domingo não será apenas mais um dia de voto. Será o teste à maturidade cívica de um país que se quer moderno, mas que não pode perder a decência, o equilíbrio e o respeito pela boa governação.
A democracia local é o espelho de nós próprios. É nela que o cidadão comum encontra o político ao alcance de um aperto de mão. E é nela que se vê quem trabalha, quem promete e quem cumpre, mas também quem sabe inovar e criar.
O meu desejo é simples: que a juventude volte a acreditar que vale a pena participar, que o voto ainda muda destinos e que a política pode ser nobre quando feita com verdade.
João Rodrigues representa, para mim, essa esperança para a Câmara de Braga — a de um futuro que respeita o passado, mas não tem medo do amanhã.
Por fim, as urnas dirão o resto. Mas, seja qual for o resultado, o essencial é isto: Portugal continuará a decidir, freguesia a freguesia, vila a vila, cidade a cidade. Porque é aí, no poder local, que mora o verdadeiro coração da nossa democracia.
Da autoria de Martim Marques Alberto