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Blog de Martim Marques Alberto

Jovem bracarense e membro da JSD Braga

Jovem bracarense e membro da JSD Braga

Blog de Martim Marques Alberto

19
Jan26

Depois da primeira escolha, vem a escolha maior

Martim Marques Alberto

 Os resultados da primeira volta das eleições presidenciais realizadas ontem constituem uma fotografia muito nítida do nosso país em 2026, um Portugal plural, diverso e exigente. Não houve um só candidato capaz de deliciar a maioria dos portugueses e, longe de ser problema, esse é um excelente sinal para o nosso regime democrático. Os eleitores de ontem foram mais críticos, mais exigentes, mais atentos e com menos disposição para soluções fáceis e discursos absolutistas.

 Apoiei com firmeza na 1.ª volta João Cotrim de Figueiredo. E fi-lo por convicção, por concordância ideológica e por uma concepção moderna para o papel do Presidente da República. O resultado alcançado por este foi meritório, digno e é um sinal muito claro de que há lugar em Portugal para uma política responsável, reformista e sem exageros. Cotrim de Figueiredo não passou à 2.ª volta, mas deixou um aroma que não se pode evaporar.

 Entramos agora numa nova fase. A 2.ª volta exigirá opções diferentes, mais amplas e mais institucionais. Entre os dois candidatos, o meu apoio vai para António José Seguro. Não por uma escolha de alinhamento, mas porque vejo nele um perfil moderado, democrático e respeitador das instituições. Estamos num momento em que o país precisa de estabilidade, serenidade e um presidente que una em vez de dividir.

 António José Seguro oferece garantias de equilíbrio e sentido do Estado. A campanha que se segue deve ser firme, mas serena. O debate deve centrar-se no papel constitucional do Presidente e não numa guerra de ideologias. A segunda volta não é sobre partidos, mas sim sobre que tipo de república queremos. E, nesta dimensão, creio que António José Seguro representa melhor a seriedade, a decência e a maturidade democrática de que Portugal carece.

 

Da autoria de Martim Marques Alberto

07
Out25

Portugal Decide – Autárquicas 2025: Entre a Tradição e a Mudança do Poder Político

Martim Marques Alberto

I – O Começo da Jornada: Apresentação e o Contexto Eleitoral

Chegámos a outubro e o país volta a cumprir um dos rituais mais antigos e belos da nossa democracia: as eleições autárquicas. É quase sempre neste tempo que os portugueses lembram-se de quem cuida das suas ruas, dos jardins, das escolas e dos pequenos sonhos da vida comum. O voto autárquico tem outra textura: é próximo, é palpável, é quase familiar.

Estas autárquicas de 2025, marcadas para o próximo domingo 12 de Outubro, chegam depois de um ano politicamente intenso — com a Moção de Confiança do Governo de Montenegro chumbada, legislativas em Maio, novo executivo, tensões parlamentares e um país a tentar reencontrar o seu equilíbrio. E, no meio deste burburinho, lá estão as nossas câmaras, as assembleias e juntas de freguesia, a pedirem o olhar do povo.

O poder local é, e sempre foi, o coração da política nacional. É nele que se sente o verdadeiro pulsar da nação. E é também aqui que se decide, de forma muito mais íntima, o tipo de país que queremos construir.

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II – No Coração da Minha Terra: Real, Dume e Semelhe em Análise

Na minha terra, a União de Freguesias de Real, Dume e Semelhe pertencente à cidade de Braga, o voto tem um sabor especial. Aqui, o Partido Socialista tem sido senhor e dono há mais de uma década. Francisco Silva, que agora termina o mandato por limitação, foi um autarca até que respeitado, trabalhador e conhecedor das gentes – mas é preciso fazer mais, muito mais por esta terra...

A vitória socialista em 2021 com cerca de 47% dos votos mostra um eleitorado envelhecido e pouco aderente à mudança, muito infelizmente.

Esta freguesia é um retrato do contraste português: Real, cada vez mais urbana e populosa; Dume, em transição entre o campo e a cidade e Semelhe ainda com uma certa ruralidade. Esta diversidade faz desta uma das freguesias mais complexas do concelho de Braga, a meu ver. O crescimento urbano trouxe progresso, mas também muitas desigualdades e um monte de desafios.

Nas ruas de Real, nota-se o desejo de mudança, e também o cansaço da rotina política. O nome de Filipe Pinheiro, o candidato da coligação Juntos por Braga para a freguesia, surge como sinal de nova transformação, de novo fôlego, e de alguém que conhece a freguesia e não se resigna a deixá-la parar no tempo. É uma candidatura que, sem negar o mérito do passado, acredita e trabalha para a regeneração — e isso tem peso e um enorme valor.

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III – Braga Grande: As Ideias Principais e os Desafios Urbanos

Braga, cidade que vibra entre o sagrado e o moderno, é um caso singular. Desde 2013 que Ricardo Rio tem conduzido com carácter e coração o município com a coligação Juntos por Braga (PSD/CDS/PPM), alcançando sucessivas vitórias bem robustas. Agora, com o seu ciclo a acabar, a sucessão torna-se inevitável e abre espaço para uma disputa a dez.

A corrida autárquica bracarense de 2025 é das mais vibrantes do país: João Rodrigues (candidato Juntos por Braga e atual vereador do Urbanismo e Habitação da Câmara Municipal), António Braga (PS), Filipe Aguiar (Chega), Rui Rocha (ex presidente da IL), Carlos Fragoso (Livre), João Batista (CDU), António Lima (BE), Francisco Pimentel Torres (ADN), Hugo Varandas (MPT) e Ricardo Silva (independente). Dez nomes, dez formas de ver Braga – Mas serão todas iguais?

No centro destes candidatos, encontra-se o eleitor bracarense, cansado de slogans, mas ainda apaixonado pela cidade. O tema dominante é a habitação, seguido da mobilidade, da segurança e do equilíbrio entre tradição e o modernismo. Braga, que já foi capital da juventude e do empreendedorismo, enfrenta agora o dilema de crescer sem perder a essência.

É aqui que João Rodrigues, um candidato com carisma, com postura firme e um discurso sereno, se destaca. Representa a continuidade das reformas que a cidade necessita sem ser repetitivo. Apresenta agora experiência com um toque juvenil sem ser aborrecido. E, convenhamos, Braga precisa de quem governe com os pés no chão, não de quem transforme o município num palco de vaidades como querem outros variados candidatos.

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IV – Uma Visão Geral das Autárquicas e os Polos do País

De Norte a Sul, estas autárquicas estão a revelar uma recomposição interessante. O PSD e as suas coligações dominam em muitos municípios relevantes; o PS tenta segurar redutos históricos e as vantagens eleitorais que tem obtido nos últimos anos; o Chega, a Iniciativa Liberal e também o Grupo de Cidadãos Independentes avançam em capitais de distrito e não só, para tentarem obter bons resultados; e forças como o Livre, o PAN, a CDU, o BE e o JPP procuram sobreviver e marcar diferença pela via mais à esquerda.

Lisboa, Porto e também Braga continuam a ser o barómetro político do país: onde o voto é mais móvel e onde se testam as tendências do futuro. Em contrapartida, concelhos como, Guimarães, Aveiro, Évora ou Faro representam o coração do poder local — onde as obras, a proximidade e o carácter contam mais do que qualquer cor partidária.

As autárquicas de 2025 estão, por isso, menos polarizadas e mais pessoais. Os cidadãos não querem uma ideologia apologista e demagógica: querem solução. Querem ver o autarca no mercado, na escola, na estrada, ou no banco do jardim. Querem alguém que os ouça e que responda.

Por isso mesmo, o voto de domingo será mais do que político — será sobretudo emocional, mas também bem convicto. E quem souber falar à alma do eleitor, ganha.

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V – Conclusão:  O Futuro e a Responsabilidade

O próximo domingo não será apenas mais um dia de voto. Será o teste à maturidade cívica de um país que se quer moderno, mas que não pode perder a decência, o equilíbrio e o respeito pela boa governação.

A democracia local é o espelho de nós próprios. É nela que o cidadão comum encontra o político ao alcance de um aperto de mão. E é nela que se vê quem trabalha, quem promete e quem cumpre, mas também quem sabe inovar e criar.

O meu desejo é simples: que a juventude volte a acreditar que vale a pena participar, que o voto ainda muda destinos e que a política pode ser nobre quando feita com verdade.

João Rodrigues representa, para mim, essa esperança para a Câmara de Braga — a de um futuro que respeita o passado, mas não tem medo do amanhã.

Por fim, as urnas dirão o resto. Mas, seja qual for o resultado, o essencial é isto: Portugal continuará a decidir, freguesia a freguesia, vila a vila, cidade a cidade. Porque é aí, no poder local, que mora o verdadeiro coração da nossa democracia.

 

Da autoria de Martim Marques Alberto

11
Jun25

Legislativas 2025 – Uma análise complexa

Martim Marques Alberto

Introdução

As eleições de 18 de Maio de 2025 marcaram um ponto de reflexão na história contemporânea nacional.

A terceira eleição legislativa em três anos revelou um país exausto, ávido por estabilidade, mas também surpreendentemente dividido. A dissolução da Assembleia da República precipitou um momento de grande tensão política, revelando uma democracia em risco, encetada pelo colapso da esquerda tradicional e pela ascensão vertiginosa da direita populista.

Neste cenário, as urnas transmitiram um grito claro: os portugueses exigem outro rumo, mais assertivo e menos ensimesmado. De um lado, a Aliança Democrática (AD), liderada por Montenegro, ressurgiu com força; do outro, a direita radical consolida-se como principal oposição. A retórica de renovação moral e de ruptura com práticas políticas datadas ganhou terreno, mas a pergunta impõe-se: estará Portugal preparado para uma nova era de sobressaltos, ou mergulhou numa era de permanente instabilidade?

I. As Eleições Legislativas de 18 de Maio de 2025 – Um S.O.S. Nacional

A campanha eleitoral

A reta final da campanha foi um compêndio de recursos retóricos: um apelo à sanidade, ao sossego, ao patriotismo, combinado com alertas dramáticos sobre os riscos do populismo e a urgência de reformas. Luís Montenegro manteve um discurso institucionalizado, dirigido a públicos moderados: a necessidade de cortes ao IRS para os mais novos, incentivos à classe média, combate à burocracia e dinamização do mercado da habitação. Apelava à razão, insistindo na proximidade com valores tradicionais e no imperativo europeu.

O PS, liderado por Pedro Nuno Santos, entrou em choque com a própria irrelevância. Reflexo de três votações seguidas em queda livre e erros estratégicos, o PS apresentou um programa sem voz nem força. A resignação do líder, após a confirmação dos resultados, só confirmou a fraqueza do partido.

André Ventura, por seu lado, transformou cada comício num tribunal moral, explorando o medo social e o incómodo popular. Rompeu tabus, exigiu "ordem" e captou um eleitorado até agora disperso — mas sem apresentar propostas viáveis. Foi esta habilidade de capturar descontentes que lançou o Chega à segunda posição parlamentar.

A Iniciativa Liberal manteve a lucidez estratégica, consolidando-se na órbita de Coimbra, Faro e das principais cidades, mas sem ultrapassar os 9 deputados. O Livre ascendeu pela sua coerência, superando BE e PCP com um discurso de regeneração democrática. Quanto ao BE e ao PCP viram reduzida a sua representação parlamentar.

O mapa eleitoral revela o colapso histórico da esquerda radical e o crescimento do radicalismo populista.

Resultados Finais – A Destruição da Esquerda e o Avanço da Direita

O anúncio dos resultados confirmou os prognósticos: a AD somou 31,8% dos votos e elegeu 91 deputados — mais 11 do que em 2024. A vitória foi transversal, com conquistas em 14 dos 22 círculos, inclusive Lisboa e Porto, distritos antes competitivos.

O Chega obteve 22,76% dos votos e 60 deputados na Assembleia, ultrapassando o PS por estreita margem em deputados mas perdendo em nº de votos. Este avanço foi especialmente notório nos distritos do Sul  e no estrangeiro (Europa e fora da Europa) . Ventura consolida-se como líder da oposição — uma novidade em Democracia que esbarra num futuro incerto.

Pedro Nuno Santos triunfou por cerca de 5 000 votos sobre Ventura, mas mesmo assim ficou no terceiro lugar com 22,83% e 58 deputados. A demissão de PNS foi o reconhecimento imediato da humilhação histórica — o PS teve o pior resultado em quatro décadas.

A IL fortaleceu-se com 5,36% (9 deputados), enquanto o Livre ultrapassou os comunistas pela primeira vez — 4,07% e 6 deputados; a CDU obteve 2,91% (3 mandatos); o BE despencou para 1,99% (1); PAN manteve-se com 1  e o JPP estreou-se no parlamento. A abstenção situou-se nos 41,8% — 6,3 milhões foram às urnas.

Não é apenas um recuo da esquerda: é uma reconfiguração ideológica profunda. A esquerda histórica perde não apenas força, mas identidade;

II. A Escolha do XXV Governo Constitucional

A nomeação e os desafios

A 29 de Maio, Marcelo Rebelo de Sousa convidou Luís Montenegro para formar governo.

Montenegro, designado pela segunda vez, enfrenta agora um Parlamento mais fragmentado, mas vai-se apoiando em 16 ministros-chave de confiança, muitos deles presentes no governo anterior.

A composição governativa

O novo XXV Governo foi empossado a 5 de Junho. Destacam-se os seguintes nomes:

  1. Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros – Paulo Rangel (PSD): garante de continuidade diplomática e estabilidade europeia;
  2. Ministro de Estado e das Finanças – Joaquim Miranda Sarmento (PSD): figura central do equilíbrio orçamental, com bom crédito em Bruxelas;
  3. Ministro da Presidência – António Leitão Amaro (PSD): papel estratégico na articulação política e institucional;
  4. Ministro da Economia e da Coesão Territorial – Manuel Castro Almeida (PSD): nova pasta, orientada para a competitividade regional e uso eficaz do PRR;
  5. Ministro-adjunto para a Reforma do Estado – Gonçalo Matias (independente): foco na desburocratização e modernização administrativa;
  6. Ministro dos Assuntos Parlamentares – Carlos Abreu Amorim (PSD): assegura articulação entre executiva e legislativa;
  7. Ministro da Defesa Nacional – Nuno Melo (CDS‑PP): consolida a promessa de reforço dos 2 % do PIB na Defesa;
  8. Ministro da Infraestruturas e Habitação – Miguel Pinto Luz (PSD): mantém o percurso iniciado em 2024, centrado no combate à crise habitacional;
  9. Ministra da Justiça – Rita Júdice (independente): figura respeitada, promete avanços na celeridade processual.
  10. Ministra da Administração Interna – Maria Lúcia Amaral (independente): transita da Provedoria de Justiça com discurso de imparcialidade;
  11. Ministro da Educação, Ciência e Inovação – Fernando Alexandre (independente): aposta na educação do século XXI e no ensino superior estruturado;
  12. Ministra da Saúde – Ana Paula Martins (PSD): mantida num dos cargos mais controversos, sinalizando continuidade apesar das críticas do PS;
  13. Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social – Maria do Rosário Palma Ramalho (independente): foco em envelhecimento activo, descentralização social e garantia de prestação contínua;
  14. Ministra do Ambiente e Energia – Maria da Graça Carvalho (PSD): reforça o perfil “verde europeu” do Governo, continuando o anterior mandato;
  15. Ministra da Cultura, Juventude e Desporto – Margarida Balseiro Lopes (PSD): nova inclusão da cultura numa pasta específica, dando-lhe relevo e centralidade;
  16. Ministro da Agricultura e Mar – José Manuel Fernandes (PSD): reforço de políticas direcionadas ao interior e modernização agrícola;

Este Governo reduz-se a 16 ministérios (menos um do que no anterior) e mantém uma base de 13 ministros da legislatura anterior. Três novas figuras que trazem renovada energia, com um propósito claro: estabilizar o estado burocrático e recuperar a eficiência.

III. Tomada de Posse – Discursos, simbolismo e o papel de Marcelo

A cerimónia de posse

A cerimónia no Palácio da Ajuda a 5 de Junho foi um momento carregado de simbolismo. O Presidente Marcelo adotou um tom de equilíbrio: saudou o reformismo, mas recordou a necessidade de articulação democrática. Reforçou que o governo não dispõe de um “cheque em branco” e sublinhou que a prosperidade exige estabilidade e diálogo institucional.

Já Montenegro falou perante juízes, militares, diplomatas e membros das forças políticas. Com voz firme, definiu o mandato como “um mandato de serviço público”. Prometeu retomar o corte fiscal, dinamizar a habitação, atrair investimentos e reforçar o SNS. Criticou as burocracias, prometeu transparência e renovação. Ao mesmo tempo, marcou a linha vermelha: “Não pactuaremos nem consensualizaremos com o Chega” — uma mensagem clara de distanciamento com o partido de André Ventura.

Relação PR - PM e advertências políticas

A relação entre PR e PM ficou bem demarcada. Marcelo recordou que fica o “guardião da Constituição”, o PM é apenas o “executor das vontades eleitorais, sempre dentro da Constituição”. É um tom pautado por respeito e vigilância equilibrada — um aviso a eventuais excessos. Montenegro, por seu lado, respondeu com compromisso patriótico, sem mancha de retórica populista, mas destacando a urgência de renovação.

Por trás dos cumprimentos protocolares, resvalou uma clara advertência: este Governo nasce com benefícios (confiança popular e continuidade programática), mas permanece sob forte escrutínio presidencial, parlamentar e social.

Conclusão

Em suma, as eleições de 2025 confirmaram o que muitos previam, mas poucos queriam admitir: o modelo político bipartidário está, muito infelizmente, a falecer. A era da negociação, da complexidade parlamentar e da nova direita chegou. Luís Montenegro tem agora nas mãos a maior responsabilidade da sua carreira política: unir um país dividido, enfrentar a demagogia com acção reformista, e evitar que a Democracia caia nas mãos dos que apenas sabem gritar, mas nunca construir.

Se conseguir passar esta legislatura com reformas justas, diálogo constante e coragem moral, ficará na História como o maior estadista que reconstruiu Portugal num tempo de ruínas.

 

Da autoria de Martim Marques Alberto

01
Mai25

Comentário de opinião sobre o debate entre Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos para as Eleições Legislativas de 18 de Maio de 2025: Que conclusões podemos tirar deste frente a frente?

Martim Marques Alberto

Na noite de ontem, o grande debate entre Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos revelou-se um exercício político absolutamente elucidativo quanto à estatura, à visão e à aptidão para governar de cada um dos protagonistas. 

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Atribuo, com plena convicção, uma nota 9 a Luís Montenegro, cuja performance foi marcada por uma retórica apurada, um espírito combativo vigoroso e uma ironia requintada, sempre colocada ao serviço da verdade e do escrutínio político.

 

Em contraste, Pedro Nuno Santos revelou-se um opositor de nota 6: irrequieto, irritadiço e visivelmente desfasado da realidade concreta do país, tropeçando nas contradições de um passado recente que ainda o persegue.

 

Abordaram-se temas essenciais como o colapso do sistema elétrico da passada segunda-feira, a economia, a saúde, as pensões, a habitação e os jovens.

 

Contudo, estranhamente, a educação – pilar básico de qualquer nação desenvolvida – ficou ausente, num lapso estratégico imperdoável.

 

 No domínio económico e financeiro, Montenegro evidenciou uma superioridade inequívoca, apresentando propostas consistentes, sustentadas numa visão liberal e reformista, que muito se concilia com os princípios da liberdade económica que tanto prezo.

 

 Na saúde, reconheça-se, Pedro Nuno Santos mostrou alguma combatividade, mas jamais capaz de ofuscar a clareza reformista de Montenegro.

 

Destaco, em particular, a frase lapidar do líder da AD, que marcou indelevelmente o debate: "Pedro Nuno Santos não tem autoridade moral nem tem vida para falar assim de mim. Não tem vida cívica, não tem vida profissional nem tem vida empresarial." Tal afirmação resume, com elegância contundente, a fragilidade ética e experiencial do adversário socialista.

 

Em síntese, o primeiro - ministro confirmou-se como um estadista preparado, com propostas sólidas e um plano de governação credível. Num tempo de transformação em Portugal, a Aliança Democrática afirma-se como a única via capaz de garantir estabilidade, crescimento e respeito pela liberdade individual.

 

 

    Da autoria de Martim Marques Alberto 

06
Mar25

Uma análise profunda à actual crise política: Estará o nosso país preparado para ir mais uma vez a votos?

Martim Marques Alberto

Após os dois debates da moção de censura ao governo, com as suspeitas do actual primeiro-ministro de ter violado a lei da exclusividade com a sua empresa e com a oportunidade de termos uma moção de confiança com rejeição quase certa na Assembleia da República, estarão os portugueses preparados para irem às urnas pela 3ª vez em apenas 3 anos?

Luís Montenegro na Assembleia da República

A Investigação a Luís Montenegro:

No dia 21 de Janeiro de 2021, o actual primeiro-ministro e presidente do Partido Social Democrata, Luís Montenegro, fundou uma empresa com o nome de Spinumviva.Uma consultora familiar com um capital social de seis mil euros e com sede em Espinho. A 30 de Junho de 2022, um dia antes de assumir a liderança do PSD, passa a empresa para o nome de sua mulher Carla Montenegro. Alguns dos clientes que foram descobertos há relativamente pouco tempo, são, por exemplo, o Grupo Ferpinta, a Rádio Popular, onde Montenegro já exerceu cargos nestas duas, declarados no seu registo de interesses.

Além destes dois, é também cliente o grupo de casinos Solverde, que supostamente dá à consultora uma avença mensal de 4500 euros.

Foram estas as razões que tornaram Luís Montenegro suspeito de violar a lei da exclusividade, que dita que qualquer governante ou individuo que exerce cargos políticos, tem a obrigatoriedade de renunciar aos cargos empresariais que assume.

Devido a estas acusações, Luís Montenegro imediatamente fez o que tinha de fazer: renunciou ao cargo e nomeou o seu filho, Hugo Montenegro, para assumir as rédeas da empresa.

Os dois ataques ao governo:

Com isto, a 21 de Fevereiro deste ano com Luís Montenegro já como primeiro-ministro, o partido CHEGA, discriminadamente, tentar sujar e destabilizar a ação governativa, apresentou em debate na Assembleia da República uma moção de censura.  A mesma revelou-se fracassada e inútil ao governo de Montenegro, que claramente foi chumbada por maioria.

A meu ver este foi apenas um exemplo de demonstração de como o partido CHEGA e o seu líder, André Ventura, estão meramente frustrados e sem razão alguma. Este governo está a fazer o que muita gente nunca pensou, apenas para o bem-estar nacional e nunca para o insucesso da Nação.

Consequentemente, no passado dia 5 de Março de 2025, o Partido Comunista Português (PCP) com a mesma intenção negativa do Partido CHEGA, apresentou em debate com o primeiro-ministro outra moção de censura ao governo, esta com chumbo garantido.

Estas duas moções serviram apenas para demonstrar ao país como no nosso Parlamento, os extremos se atraem para danificar um país sólido e um governo competente.

Em suma, só com uma grande força democrática se consegue construir um país livre e forte.

Essa força, é nada mais nada menos que o Partido Social Democrata.

As Duas Faces da Moeda:

Com o chumbo das moções, Luís Montenegro responde ao Parlamento com uma moção de confiança para certificar-se que a maioria está com ele.

Por um lado, pode se ter enganado porque com chumbo garantido do Partido Socialista e do Partido CHEGA, perfazendo uma maioria no Parlamento, Luís Montenegro vê-se numa situação complicada. Ao ser rejeitada a moção de confiança, que será votada na próxima terça-feira dia 11 de Março, o governo muito provavelmente vai cair e o presidente Marcelo Rebelo de Sousa irá certamente dissolver a Assembleia da República e convocar eleições legislativas antecipadas, sendo as terceiras eleições em apenas 3 anos. É deveras preocupante o estado político a nível nacional.

Por outro, pode dar jeito ao actual primeiro-ministro uma crise política e eleições antecipadas para tentar fazer o que fez o Dr. Aníbal Cavaco Silva em 1987 que em condições similares na Assembleia da República conseguiu passar de um governo de 88 deputados para uma ampla maioria de 148.

Veremos, mas não acredito que isso aconteça devido ao actual panorama que vivemos e com as suspeitas a Luís Montenegro. Só um grande milagre ou uma campanha eleitoral excelente para se verificar tal acontecimento. Os tempos já não são o mesmos.

3 Eleições em pouco mais de 9 meses:

Se se verificar a queda do actual governo e a convocação de legislativas para Maio, assistiremos a algo inédito na actual conjuntura política.

Além de agravar pessimamente a crise política, o facto de termos 3 eleições em um tão pouco espaço de tempo é algo severamente preocupante.

Com o país a enfrentar 3 sufrágios, a percepção dos portugueses vai decerto mudar muito e isso pode afectar muito o nosso dia-a-dia. Ademais, Marcelo Rebelo de Sousa continuará a ser o presidente com mais legislaturas assumindo possivelmente um total de 5 governos já empossados pelo mesmo.

Aliás o país vai enfrentar um teste político às autarquias locais entre Setembro e Outubro deste ano que mudará a cor de algumas câmaras municipais ou manterá, conforme a população votar mais em cada partido.

Após a conclusão destas duas votações, teremos mais à frente a 25 de Janeiro de 2026, eleições presidenciais onde depois de 10 longos anos no poder, Marcelo Rebelo de Sousa deverá abandonar o trono de Belém e passa-lo para outro candidato escolhido pelos portugueses. Para esta eleição já temos alguns candidatos anunciados:

Henrique Gouveia e Melo, com 64 anos, o Chefe do Estado-Maior da Armada, é quase de certeza, candidato à presidência dizendo situar-se entre o socialismo e a social-democracia, ou seja, assume uma posição mais no centro do espectro político;

Luís Marques Mendes, com 67 anos é candidato pelo Partido Social Democrata (PSD), onde já anunciou a sua candidatura em Fafe, sua terra natal, no passado dia 8 de Fevereiro. É um óptimo candidato para rivalizar com Gouveia e Melo.

André Ventura, com 42 anos, líder do partido CHEGA é candidato à presidência pela segunda vez em 5 anos;

O Partido Socialista ainda não escolheu o seu candidato mas será entre António José Seguro e António Vitorino, posicionados quase no mesmo espectro político.

Só o futuro irá ditar o resultado destes 3 sufrágios.

 Conclusão:

Concluindo, acredito que com as suspeitas a Luís Montenegro que originaram a actual crise política e a necessidade de uma moção de confiança, os portugueses irão continuar a preferir a mudança que está a ser feita por este governo, mas ao mesmo tempo espero uma campanha eleitoral longa e extensa, com as 3 eleições mais importantes de toda a história do Portugal.

 

Da autoria de Martim Marques Alberto

 

 

 

27
Fev25

Eleições federais na Alemanha: Resultados, consequências a nível europeu e a nível mundial

Martim Marques Alberto

Após o sufrágio alemão a assegurar mais de 49 milhões de eleitores, pudemos observar uma clara viragem à Direita: Para o bem, mas também para o mal

Depois de horas e horas a contar votos, os alemães escolheram o seu novo chanceler: Friedrich Merz da CDU (União Democrata Cristã) coligado com a CSU. O político reformista e conservador que a Alemanha precisa para reafirmar a sua economia e o seu poderio na Europa e no Mundo.

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Os Resultados do Sufrágio:

 Logo após a contagem do último voto, conseguimos ver uma clara diferença em relação à última eleição onde o partido vencedor foi o SPD de Olaf Scholz com 25,7% que agora ficou com resultado desastroso e muito penoso não só para o partido como para toda a esquerda alemã.

O principal vencedor foi a coligação CDU/CSU de Friedrich Merz, como apontavam nas recentes sondagens, ganhou com 28,5% dos votos mais 4,4% em relação a 2021, um resultado insuficiente para uma maioria absoluta no Bundestag Alemão, mas suficiente para formar um governo e assumir o poder com uma certa “ tranquilidade “. Ganhou com uma margem grande sobretudo na Antiga RFA, nas zonas norte, oeste e sul do país. Na Antiga RDA e na capital Berlim teve um desempenho fraco, numa região que é tradicionalmente de esquerda, mas que nesta eleição mudou drasticamente.

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A seguir, uma grande surpresa pela negativa, a AfD, o partido de extrema-direita liderado por Alice Weidel, obteve um resultado histórico registando 20,8% dos votos, um crescimento enorme em relação a 2021, quando teve 10,4%. Este partido afiliado completamente aos ideários assustadores e retrógrados da Antiga Alemanha Nazi de Hitler, onde milhões de seres humanos inocentes de todo o mundo morreram na 2ª Guerra Mundial e nos campos de concentração à custa de um ditador genocida e nazista, teve uma gigante e expressiva vitória na Antiga Alemanha de Leste, ainda com o seu povo associado às ideologias dos radicalismos de esquerda e de direita, temidos por muita gente. 

44204480.jpgEm terceiro lugar temos o SPD, o partido social-democrata (a fugir ao socialismo) liderado pelo atual chanceler Scholz, teve uma derrota " amarga" e a pior em 130 anos do partido. Teve um fraquíssimo desempenho a nível nacional tendo arranjado algumas vitórias em estados no centro e norte do país e em algumas metrópoles importantes. Esta derrota deve-se ao facto da fraca aptidão e habilidade do governo de Scholz, à sua posição nas guerras globais e sobretudo, à grande perda da economia alemã, especialmente na industria automóvel perdendo terreno para a China e para o Japão. Sendo este último o principal fator da perda de eleitorado deste partido. Agora cabe a Merz e ao seu futuro governo recuperar o folego em relação ao Oriente e também lhe cabe, abrir os olhos à União Europeia nos fatores geopolíticos e internacionais e tornar a Europa grande e forte como no século passado.

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Nas últimas posições temos alguns partidos de esquerda como o partido Grune (Os Verdes) que obteve 11,6% dos votos, uma ligeira queda em relação em 2021, mas continuando a deter fortes apoios em grandes metrópoles, como por exemplo, na capital Berlim. Em 5º lugar temos o partido Die Linke (A Esquerda) com 8,8% também a perder votos em relação a 2021. Seguidamente, temos o partido BSW com aproximadamente 5%, que conseguiu ainda eleger 1 deputado (Nota: Para se eleger um deputado no Bundestag é preciso, no mínimo, 5% dos votos). Por último temos o partido dos liberais, FDP, que teve uma grande perda de eleitorado em relação com 2021, não tendo nesta eleição, assegurado nenhum deputado no Parlamento.

1197444.jpegAssim, os alemães sustentar-se-ão com uma nova disposição no seu parlamento, agora diminuído para 630 deputados, começando agora uma nova legislatura que parece ser tensa e de difícil entendimento entre as diferentes forças partidárias.

As consequências:

Para a União Europeia, para a Guerra Ucrânia-Rússia e para a Guerra Israel-Hamas:

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Com a realização deste sufrágio, as consequências são várias:

Para a UE, este novo governo pode agradar muito à ala da direita, sobretudo ao PPE, e pode dar um novo rumo e uma nova esperança agradável a Ursula Von Der Leyen para reunificar o poder das potências europeias, que já parecem estar severamente esquecidas devido ao grande crescimento dos países do Oriente e dos EUA.

A meu ver, a Europa tem de urgentemente renascer das cinzas e retornar a ser o principal continente e o principal motor económico que era no século XX.

No contexto da Guerra Ucrânia-Rússia, acredito que a Alemanha e os países europeus vão continuar a fornecer total ajuda à Ucrânia para derrotar a Rússia, mas o futuro é de grandes incertezas, actualmente.

Os Americanos, com a presidência de D.Trump, querem de certa forma ajudar a Ucrânia na guerra, mas exigem em troca os minérios e as " terras raras" do país. Isto demonstra um claro sentido de oportunismo por parte da Casa Branca.

Em relação à Guerra Israel- Hamas, penso que a UE deve continuar, e de certo modo vai continuar a ajudar as forças israelitas contra as forças terroristas do Hamas na Faixa de Gaza e acredito que os países europeus vão continuar a cooperar com o Cessar-Fogo em curso e com toda a retirada dos reféns do conflito, de ambos os lados da guerra.

Concluindo, penso que com a vitória da CDU na Alemanha e com o novo governo liderado por Friedrich Merz nos próximos meses, que vamos assistir a uma nova Europa preparada par lidar com os conflitos armados no Globo, com a ditadura russa de Putin e com a intransigência norte-americana.

 

Da autoria de Martim Marques Alberto

21
Fev25

Breve comentário sobre o Debate da Moção de Censura do partido CHEGA ao XXIV Governo Constitucional de Luís Montenegro

Martim Marques Alberto

O debate em torno desta moção de censura revelou-se um exercício fútil de demagogia e oportunismo político, protagonizado, em grande medida, pelo CHEGA e pelo seu líder, André Ventura. Perante um governo firme e transparente, esta iniciativa revelou-se não só desprovida de fundamento como também um obstáculo inútil à governação.

 

Luís Montenegro, com sentido de dever e caráter, nem precisava de justificar a sua atividade empresarial perante uma moção tão frágil. Não é ilegítimo que um governante possua uma empresa e dela retire proveito, desde que com total transparência. Reduzir a política a ataques vazios e insinuações não serve o país.

 

O populismo do CHEGA só se combate com a competência e responsabilidade, qualidades que o governo e o Partido Social Democrata demonstram ser os únicos a possuir em pleno. O CHEGA, por sua vez, e os seus 50 deputados limitam-se a tumultuar, sem qualquer contributo real para o progresso nacional. Nem PS nem CHEGA conseguem afirmar-se como oposição credível, muito menos como alternativa de governação. Esta é a verdade inquestionável.

14
Nov24

A disputa acabou...

Martim Marques Alberto

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Após terem sido apurados os resultados das eleições norte-americanas de 2024, penso que todos ficamos surpresos e espantados com os resultados desta eleição.

O povo americano escolheu o seu líder e selecionou dentro dos dois candidatos, o candidato republicano Donald J. Trump, o “velhinho” que lá conseguiu capturar a maior parte do eleitorado. Mas, a vitória de Trump foi extremamente expressiva demonstrando uma maioria clara, tanto no número de votos do colégio eleitoral, como no voto popular.

Os Resultados a rigor:

Podemos observar nesta eleição, uma clara viragem à direita dos eleitores que naquela terça-feira que pensava-se decisiva, votaram livre e democraticamente.

As sondagens recentes davam a vitória ligeira a Kamala Harris, vice-presidente americana e candidata democrata, sobretudo em estados como Nevada, Michigan, Winscosin e também no estado mais importante desta eleição: a Pensilvânia.

Mas, o que se pode observar é que a candidatura de Donald Trump e JD Vance conseguiu uma vitória histórica. Desde os tempos de George Bush e Ronald Reagan, que não se observava uns EUA tão vermelhos e republicanos

A candidatura de Trump, obteve a nível nacional, uma maioria de 312 votos no Colégio Eleitoral e obteve aproximadamente, mais 3 milhões de votos que Kamala Harris no voto popular obtendo cerca de 75,8 milhões de votos e 50,2% dos votos, enquanto Harris obteve 72,8 milhões votos e 48,2% dos votos, mais votos que Hilary Clinton em 2016, quando perdeu contra Trump

Trump também conseguiu vencer nos 7 Swing States com uma superioridade considerável. Manteve as suas bases de apoio sobretudo no centro e oeste do país e sobretudo no sul e na Flórida, onde ganhou com uma margem impressionante, ganhando com quase 60% dos votos, muito mais que em 2020 contra o democrata Joe Biden.

Comparando com 2020, reconquistou o eleitorado em estados decisivos como a Georgia, Nevada, Arizona e Pensilvânia. Neste ano esses estados passam agora pelo domínio de Trump.

Aliás, em comparação com 2016, o republicano obteve agora mais de 10 milhões de votos e conquistou o estado do Nevada, onde é normal os democratas ganharem quase todos os anos.

Além da vitória na presidência, o republicano ganhou com maioria no Senado (53 contra 47), agora liderado por John Thune, ganharam também na Câmara dos Representantes, onde ainda se está a apurar todos os votos, e ganharam com mais governadores do que os democratas ( 27 contra  23).

Ou seja, Trump a ganhar na presidência, no senado e também no Supremo Tribunal, consegue concentrar na sua pessoa e no seu partido os poderes executivo, legislativo e judicial tornando-se uma espécie de “rei absoluto”, só que num regime presidencialista, ou seja, o Presidente Absoluto.

Esta facto, pode ser assustador, pois nunca é bom um só homem e um só partido tomarem todos os poderes num país democrático como os EUA, pois uma democracia é sempre frágil e as liberdades dos cidadãos tanto num dia podem estar a vigorar, como no outro acabarem completamente.

Quem poderá fazer parte da Nova Administração Trump e como poderá ser o futuro dos EUA e do Mundo?

Após esta eleição, o candidato vencedor Trump terá de preparar o seu governo.

Além do novo vice-presidente JD Vance um homem carismático e competente para estar à frente dos EUA como nº 2, o novo presidente que será empossado a 20 de Janeiro do próximo ano, vai nomear certamente pessoas do seu conhecimento e respeito.

Um deles é o bilionário de 53 anos, Elon Musk que apoiou Trump em muitos dos seus comícios ao longo da campanha eleitoral republicana. Musk irá assumir o departamento de Eficiência Governamental.

Outro possível nome para a Trump Administration é Robert Kennedy Jr. O político de 70 anos e sobrinho do antigo Presidente Democrata John F. Kennedy, candidatou-se no início à Casa Branca como independente mas depois desistiu da corrida apoiando Trump. Robert Kennedy Jr. É agora um dos novos potenciais nomes para se juntar a Trump nesta longa jornada de 4 anos.

Dada esta eleição como terminada, o resultado da mesma pode e poderá trazer diversas consequências. Uma delas é que com Trump, os EUA podem parar com o apoio militar e económico à Ucrânia aumentando a probabilidade da Rússia ganhar a guerra, e isso é péssimo. Agora, sobre a Guerra em Gaza, muito provavelmente, os EUA vão financiar ainda mais Israel aumentando a probabilidade de Israel ganhar a outra guerra, esta no Médio Oriente contra a organização terrorista Hamas.

Espero que os EUA continuem a cooperar com a União Europeia e com NATO diplomaticamente, e espero que Portugal, com o governo da AD de Luís Montenegro, continue a colaborar em tudo o que seja necessário.

Conclusão:

Em suma, a vitória esmagadora de Trump contra Kamala Harris é um potencial aviso a todos de que uma nova América  está pronta para defender os seus interesses patrióticos e nacionalistas que o novo presidente defende com unhas e dentes.

 

Da autoria de Martim Marques Alberto

04
Nov24

A Decisão Americana

Martim Marques Alberto

A Decisão Americana

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Amanhã realizam-se as eleições para presidente dos Estados Unidos da América e a pergunta que se coloca é: Quem vencerá esta eleição, que é das mais renhidas eleições das últimas décadas da História?

Para estas eleições temos dois candidatos: Kamala Harris, 60 anos de idade e é a candidata democrata e actual vice-presidente dos EUA de Joe Biden, democrata eleito em 2020 contra o actual candidato republicano Donald  Trump. Do outro lado temos o candidato republicano, Donald Trump, com 78 anos que se candidata ao cargo pela 3ª vez.

São dois candidatos muito diferentes entre os quais o povo norte-americano terá de escolher já amanhã. Para esta superpotência mundial tem de haver um candidato com carácter e educação e com muito carisma, mas também com políticas económicas fortes e robustas. O que eu irei fazer agora é uma análise detalhada a cada um dos candidatos.

 

KAMALA HARRIS:

Nasceu em Outubro de 1964 no estado da Califórnia. Aos 18 anos ingressou na Universidade de Howard em Washington D. C. onde conclui os estudos em advocacia. Em 2003, tornou-se Procuradora da cidade de São Francisco até 2011. Em 2011 tornou-se Procuradora Geral da Califórnia, em 2017 tornou-se Senadora da Califórnia e em 2021 tornou-se vice-presidente dos EUA pelo Partido Democrata onde está até agora a desempenhar esse mesmo cargo.

Esta candidata posicionada entre o centro e o centro esquerda e defende políticas sociais e económicas mais de esquerdas em relação ao seu adversário. Esta candidata e o seu partido defendem para os EUA, uma maior participação do estado na economia e nas instituições, por exemplo, da saúde e da educação e um maior alargamento de políticas na área social, defendendo uma maior igualdade de oportunidades e de género e uma abordagem equilibrada em relação à imigração e à homossexualidade. A candidata à Casa Branca também defende muito os direitos das mulheres e o direito ao aborto. É uma candidata com um carácter forte e tem um grande leque de medidas sociais que agradam muito à população imigrante, homossexual, e aos sem-abrigo, localizados muito nas grandes cidades como Los Angeles, Chicago ou Nova Iorque.

 

DONALD TRUMP :

Nasceu em Junho de 1946 na metrópole de Nova Iorque. Em 1964 matriculou-se na Universidade Fordham onde concluiu os estudos em Economia. Durante maior parte da sua vida tornou-se num magnata dos negócios na sua cidade natal, tendo lucrado muito nos anos 80 e 90. Em 2016, aos 70 anos, candidatou-se pela primeira vez a Presidente dos EUA onde ganhou contra Hilary Clinton. Em 2020, falhou a reeleição perdendo para o candidato democrata, Joe Biden. Em 2024, candidata-se pela 3ª vez consecutiva.

Este candidato, já com uma certa idade e muito carismático, posiciona-se na direita política defendendo o Partido Republicano e políticas mais financeiras, a segurança nacional, o nacionalismo e o conservadorismo fiscal.

 Donald Trump e o seu partido defendem uma economia de livre mercado com menor intervenção estatal, cortes nos impostos sobretudo nas empresas, uma abertura ao mercado fóssil e ao do petróleo, são contra o aborto, contra o feminismo e defendem uma menor abertura à imigração, à homossexualidade e às minorias.

É um candidato forte e carismático, mas pouco educado e correto, tem políticas financeiras boas que podem beneficiar os mais ricos empresários e magnatas dos EUA, os fabricantes rurais do centro do país, e os conservadores, população localizada, por exemplo, nos estados do Texas, Utah, Arizona e Flórida.

O QUE ESTA ELEIÇÃO PODE SIGNIFICAR PARA PORTUGAL E PARA A UNIÃO EUROPEIA?

Depois desta eleição, o panorama político-militar pode mudar  imenso dependendo de quem  ganhar.

Se Kamala Harris ganhar, os EUA vão fornecer mais ajuda e armamento para a Ucrânia para combater e ganhar a guerra contra a Rússia, ao mesmo tempo que, muito provavelmente, vão acabar com a ajuda a Israel, tomando assim, uma grande decisão na conjuntura actual. Kamala vai continuar a cooperar com os países da UE e da NATO, e com as  “potências europeias”  como a Alemanha, a França e o Reino Unido, a nível financeiro e militar.

Agora, se Donald Trump ganhar, o panorama mudará, fazendo com que, muito provavelmente, os EUA vão fornecer menos ajuda e armamento para a Ucrânia, e continuarão a apoiar Israel em todas as frentes, fazendo com que ganhe a guerra em Gaza.  Trump vai deixar de ajudar tanto a UE e, muito provavelmente, vai querer sair da NATO, deixando de cooperar, tanto, com os países da Europa.  

 

CONCLUSÃO:

Em suma, são, os dois, candidatos muito fortes e diferentes à liderança da Casa Branca. A meu ver, é uma eleição muito concorrida e muito disputada que moldará o futuro dos EUA e do Mundo.

 

                                               

                                                                                                  Da autoria de Martim Alberto 

 

 

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